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  • Isabel Arruda

A vida é tão rara


4:30 marcava no relógio.

Estava quase na hora de buscar meus filhos na escola. Resolvi sair uns minutos mais cedo.

Queria andar com calma e, quem sabe, parar em um banco no caminho e apreciar a vista, enquanto transformava uns pensamentos aqui embaralhados em palavras que fizessem sentido.


Ao som de Lenine fui caminhando e cantando 🎼Enquanto o tempo acelera e pede pressa, eu me recuso faço hora, vou na valsa. A vida é tão rara🎼

Observando as nuvens dançando, a familia de patinhos nadando rumo a margem e todo ruído e movimento de pessoas em volta, sentei no banco. Senti o espaço vazio de quem abriu o peito ao respirar fundo e logo o preenchimento de uma quase sufocante e genuína alegria.


Me lembrei que sempre gostei de observar a natureza.

O por do sol, ah esse é meu espetáculo preferido.

Gosto de ver as nuances, as cores, o movimento.

Gostava de observar por um tempo, até conseguir guardar detalhes no meu hd interno para resgatar essa lembrança quando precisasse de um acalento ou de uma luz interna quando a minha tivesse um pouco falha.


Porém, com o passar do tempo fui de enrijecendo.

Endurecendo o olhar.

Prestando menos atenção.


Aliás, o mundo hoje é ocupado demais para prestar atenção no simples.


A contemplação é substituída pela pressa.

O silêncio virou um eterno ruído, como aquele pernilongo zumbindo no ouvindo quando você está tentando dormir.

Calma e tranquilidade virou sinônimo de preguiça e passividade.


Bom mesmo é ser ocupado, eles dizem.

Fazer mil coisas ao mesmo tempo.

Olhar para a tela, enquanto tem um ser humano bem na sua frente vulnerável, buscando respostas no seu olhar.


Sabe, eu trabalhei por muitos anos em um lugar, em que todos pareciam ocupados demais.

Alguns de fato eram e outros precisavam parecer ser, para pertencer, serem aceitos e não ficar para trás na gincana da subida da escada corporativa.

E eu até me encaixei por um tempo.

Mas o parecer ser não sustentava.

E eu tirei meu time de campo.


E precisei cruzar o oceano para aprender a apenas SER.


E voltei a contemplar.

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