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  • Isabel Arruda

Nos conhecendo melhor

Quando nasce um bebê, nasce uma mãe. Quem nunca ouviu essa frase?! É clichê, porém 100 % verdade. Nasce uma mãe, uma nova mulher, nova esposa, nova amiga. Eu virei uma novidade pra mim mesma. A vida de outrora não te pertence mais. Toda a sua energia e atenção são direcionadas para aquele pequeno ser que acabou de chegar na sua vida. Na maternidade em sua plenitude, a liberdade conquistada é tirada de você como em um estalo de dedos. Porém, em cada sorriso, a cada nova descoberta, o amor não para de crescer até parecer que vai sair do peito e faz tudo valer a pena. Ser mãe é a melhor parte de mim e ainda pretendo povoar o mundo mais um pouco com pequenas criaturas, mas isso é assunto para outro post.


Quando Catarina nasceu, eu tive seis meses de licença maternidade e mais um mês de férias. Foram sete meses imersos no papel de mãe. Foi lindo, enlouquecedor, delicado, insano, estressante e feliz. Quando voltei ao trabalho, o primeiro dia foi uma festa, perguntas diversas, exposição de fotos e por aí vai. No dia seguinte vida que segue. Afinal, tempo é dinheiro, e o minuto no horário nobre é muito caro! O mundo corporativo não tem tempo para fragilidade. Delicadeza e sofrimento de uma nova mãe não entram no jogo. Sua filha não dorme? Está com um resfriado? Não aceita a mamadeira? São perguntas que não estão nas pautas das reuniões.


Depois de uma semana, foi como se eu não tivesse sequer saído. Trabalhava tantas horas fossem necessárias pra colocar um programa no ar. Doze horas trabalhadas por dia, doze horas sem ver minha filha. The show must go on. Resultado: um programa de televisão ao vivo, natal trabalhando e uma flha que chorava toda vez que vinha para o meu colo. O pai foi essencial. Culpa sem fim!


E assim seguimos pelos próximos meses e anos. Me considerava mãe de final de semana, achava que não participava ativamente da educação dela, que tinha gente demais envolvida (o que nos salvou) e mãe de menos. Dia de semana, obrigações apenas: “vai escovar o dente, veste o uniforme, toma sua mamadeira”. Final de semana, revezava entre a permissividade e a ânsia de botar ordem no barraco. Em ambas, a tentativa de recuperar o tempo perdido.


Até que resolvemos mudar de vida. Um dos motivos da nossa retirada estratégica foi a busca por qualidade de vida e tempo para a família. Precisávamos desesperadamente disso, aquela situação não se sustentaria. Nos últimos três meses, estive mais presente do que nos últimos três anos. Aqui somos nós apenas. Estamos nos conhecendo melhor, reaprendendo juntos como operamos e como funcionamos como pais e filha.


Alguns dias são fáceis, outros nem tanto. Em alguns dias me falta uma dose extra de paciência e criatividade, em outros é simplesmente incrível observá-la crescer e ajuda-la a se desenvolver. Um privilégio! Em breve, Catarina irá para a escola todos os dias e eu volto ao mercado de trabalho. Teremos menos tempo do que temos agora, porém muito mais do que tínhamos antes. Algo mudou, criamos uma conexão sem volta, uma confiança mútua. E fiz uma promessa silenciosa na calada da noite. Prometi que nunca mais vou deixar qualquer carreira nos separar.

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