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  • Isabel Arruda

O peso do Não

Quem nunca tomou um pé na bunda de um namorado, ou não conseguiu aquele emprego em que você se considerava perfeito para o papel, ou então teve um projeto incrível recusado que atire a primeira pedra.


Ouvir NÃO faz parte da vida e aprender a lidar com as consequências disso também. Com uma filha de 3 anos em casa, a batalha é constante. “Posso ver desenho agora? Não. ”Posso comer biscoito antes do jantar? Não. “Posso dormir sem tomar banho hoje? Não”. Muita conversa, choro, brabeza e explicações. Faz parte da infância e do desenvolvimento dos nossos filhos que imponhamos limites, que eles saibam que não podem ter tudo o que querem a todo momento. Existem regras.


Mas e quando levamos isso para a vida adulta!? Muitas vezes recebemos um não e a vontade primária é fazer birra como se ainda tivessemos 3 anos, ou bater o pé e fechar a cara. Mas na vida real isso não funciona. Temos que nos conter, respeitar e até sorrir por educação ou profissionalismo. Mas a verdade é que não é fácil ouvir um não. Ninguém acorda e levanta da cama pensando: “Oba, hoje vou ter aquele meu projeto recusado pelo meu gerente.”ou então “To feliz proque é hoje que vou levar um não daquele carinha que convidei para sair.” Ser contrariado é duro e doído.


Nos últimos anos, minha vida professional (e pessoal) ia muito bem, obrigada. Muito trabalho duro, dedicação, esforço e suor resultou em uma carreira bacana, com promoções e projetos interessantes. Não que eu estivesse satisfeita, porque de uns anos para cá tinha começado a qeustionar se aquela vida era para mim, mas tinha um enorme orgulho do caminho que eu tinha percorrido e construído. Disconhecia esse sentimento de rejeição.

Agora parece que algo está fora de órbita, for a de lugar. Esse desconforto, o coração palpitante, a angústia no peito e o nó na garganta são sintomas de rejeição. Agora eu entendo! E o mais grave é o que esse sentimento desencadeia: falta de convicção em quem você é, baixa auto estima, não pertencimento, a sensação de ser uma fraude.


Talvez pudesse procurar uma terapia, ou um life coach, mas prefiro escrever, que assim me liberto. Uma saída que encontrei para combater essa dose de desânimo e diabinhos no meu ouvido atrapalhando meu sono e humor foi trabalhar a mente. Ter a flexibilidade mental de entender que de fato é tudo passageiro e é um momento de transição (difícil para mim, que quero tudo para ontem). Ter a flexibilidade para entender o que eu Não quero e achar a busca do que eu quero de fato.


As coisas não saem sempre como imaginamos e planejamos. No meu mundo ideal de Poliana, estaria sendo muito diferente, mas tenho certeza que no mundo real é muito mais desafiador e a recompense é muito maior.

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