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  • Isabel Arruda

Despedidas

Não sou uma pessoa que lida bem com despedidas. Sou emotiva, sentimental e apegada às pessoas. Gosto de estar entre amigos e família. Sou uma taurina bem contraditória pois gosto da estabilidade, segurança e raízes mas ao mesmo tempo tenho uma inquietação na alma inerente à minha vontade. E é exatamente esta inquietação que me fez voar outras vezes. Esta é a terceira vez que me despeço.


A primeira foi aos 16 anos quando encarei o (ate então) maior desafio da minha jovem vida, com a intensidade que a idade proporciona. Lá fui eu rumo a California desbravar o novo e desconhecido, morar com uma família americana, falar apenas inglês e frequentar uma high school. Fiz isso, muito mais e sobrevivi com louvor. Foi life changing.


A segunda, aos 22 anos, uma experiência que deixou marcas profundas de felicidade , momentos memoráveis e histórias inesquecíveis, daquelas que vou contar aos meus filhos, netos e quem mais quiser ouvir. E quero contar tantas e tantas vezes até ficar velhinha e quase não me lembrar mais delas. Ah, Australia, como eu sinto sua falta!


E isto me traz a esta despedida de agora, rumo ao Canadá. Por ser a terceira vez, pensa-se que já estou mais escolada, que vou tirar de letra, certo?! Não, errado! Cada vez teve o seu desafio particular. Eram momentos de vida completamente diferentes, cada um com sua carga e angústias. E agora, é como se fosse a primeira, porém desta vez não estou mais sozinha, estamos em três. Sei que nos uniremos ainda mais e que estaremos lá pra confortar e apoiar uns aos outros, porém a dose de responsabilidade é um pouco maior. Cada passo é cuidadosamente pensado, sem pressa ou impulso.


Um ar saudosista paira sob meus pensamentos. Começo a ter saudade de tudo e de todos. De lugares que nunca cheguei a conhecer e de coisas que nunca fiz. Como pode sentir falta do que não se conhece?! Mas a possibilidade era real e tangível e só de saber que estarei a kms de distância, isso pesa. Olho esquinas e me lembro de histórias, esbarro com amigos e juntos relembramos bons momentos. Não quero negar a saudade, quero senti-la com todas as minhas forças, porque ela é real. Mas sei que não é forte o bastante para me impedir de partir e sim combustível para fazer nossa escolha valer a pena.


E assim, mais uma vez me despeço. Um até breve e até a volta com uma leveza na alma e sensação de dever cumprido! Estamos encerrando um ciclo e começando o próximo com muitas páginas em branco e uma vontade voraz de começar a escrevê-las.


Life is a journey. Enjoy the ride!

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